Aldeias Biotópicas

Proposta de Plano de Emergência Nacional de habitação ligeira, própria e reversível

Um ano para alojar quem não tem onde viver.

Cem mil fracções em solo público, cada uma com a sua TinyHouse, a partir de 10 mil euros. Aldeias com água, energia, saúde e vizinhos, geridas por cooperativas com as câmaras, as juntas e as IPSS. O chão nunca se vende. A TinyHouse é de quem lá vive.

Uma aldeia biotópica ao fim da tarde: casas de madeira com painéis solares entre oliveiras e carvalhos, hortas, um pavilhão comum com pessoas à mesa, crianças de bicicleta e uma vila ao fundo

Isto é uma proposta. Nada disto existe ainda.

Não há nenhuma aldeia construída, nenhum solo atribuído, nenhuma câmara, governo ou partido que a tenha adoptado. Os números nesta página são os da proposta, não os de um produto à venda. Só acontece se as pessoas, as cooperativas, as câmaras e o Governo a tornarem real, e a petição aberta a assinaturas é o que dá o primeiro empurrão: com 1 000 assinaturas a comissão parlamentar tem de ouvir os peticionários; com 7 500, é discutida em plenário. Demora dois minutos.

Assinar a petição

Três coisas que pode fazer hoje

1. Assinar a petição à Assembleia da República

É a única coisa que obriga o Estado a responder: com 1 000 assinaturas a comissão parlamentar ouve os peticionários; com 7 500 é discutida em plenário, e todos os partidos têm de se pronunciar. Demora dois minutos.

Assinar a petição

2. Escrever à sua câmara

Uma carta pronta, com os números do seu concelho, que envia em seu nome. Quando houver quinze do mesmo concelho, há um grupo promotor.

Escolher o concelho

3. Escrever ao Primeiro-Ministro e ao Presidente

O decreto-lei e a declaração de emergência são do Governo. A palavra do Presidente pesa mais do que a lei lhe dá. Duas cartas prontas, para enviar em seu nome.

Ver as cartas

Quantas casas cabem ao seu concelho?

A primeira vaga de 100 mil fracções distribui-se pelos 308 concelhos em proporção da população. Escolha o seu e veja quanto terreno público é preciso.

Fonte: INE, Censos 2021, corrigidos pelo crescimento regional até 2025. A quota é do concelho, o terreno é do território: os concelhos com menos de cem fracções juntam-se aos vizinhos, e os concelhos densos, como Lisboa ou o Porto, realizam parte da quota na área metropolitana, em solo público até 45 minutos de transporte do emprego, no máximo uma hora, que é o que já hoje se gasta. A folha de cálculo completa, por freguesia, está nos documentos.

Portugal, primeira vaga

100 000

fracções, em cerca de 3 000 hectares de solo público. É o que arde numa semana má de Agosto.

Organizar-se no seu concelho, sem esperar por ninguém

Cada concelho tem o seu grupo, criado por quem lá vive, e ninguém precisa de autorização para o abrir. Funciona assim:

  1. Escolha o seu concelho na secção acima. Se já houver grupo, aparece o botão para entrar.
  2. Se não houver, crie-o: abra uma comunidade de WhatsApp (ou um grupo de Telegram ou Facebook), copie o link de convite e registe-o no formulário. A partir daí, quem escolher o seu concelho encontra o seu grupo.
  3. Siga o kit: as três regras, a primeira reunião, como encontrar terreno público, a carta colectiva à câmara quando forem quinze, e o que fazer quando a câmara diz não.
  4. Os administradores dos grupos falam entre si numa comunidade nacional, onde o que um concelho aprende chega aos outros.
15

agregados no mesmo concelho é o número a partir do qual se escreve a carta colectiva e se pede a reunião à câmara.

3

regras que evitam quase todos os problemas: os três primeiros são administradores até à primeira reunião, reúne-se uma vez por mês, fala-se de casas e não de partidos.

0 €

o grupo não recebe dinheiro, não cobra quotas, não assina nada com privados e não promete fracções a ninguém.

Leia o plano por partes

O documento completo tem 120 páginas. Está aqui inteiro, dividido em páginas curtas, para se ler pela ordem que quiser.

O problema

Quem não tem casa, quanto ganha, e porque a conta não fecha, com filhos, sem filhos, na reforma.

A proposta

Fracções em solo público, casa própria, núcleos partilhados, sete princípios e a TinyHouse Aberta.

A aldeia

Sem ruas por dentro, água tratada no local, energia solar, edifícios comuns pré-fabricados, e o solo.

Técnica

Energia, saneamento e pré-fabricação: as opções que existem, exemplos e critérios de decisão.

Como se faz

A lei que falta, quem governa cada aldeia, o Gabinete Nacional e os doze meses.

O dinheiro

500 a 800 milhões, quem paga, o que o BEI já financia, e o microcrédito para a casa.

A cooperativa

Estatutos, regulamento de convivência e contratos-tipo, prontos a adaptar.

A proposta numa página

Dois terços de quem trabalha em Portugal ganha menos de 1 200 euros líquidos. Um casal com dois salários de mil euros e dois filhos fica, na melhor das hipóteses, com 500 a 800 euros para a casa; um T2 numa área metropolitana custa 1 100 a 1 400. Três em cada quatro reformados recebem menos de 870 euros. A habitação a custos controlados vende-se a 100 a 220 mil euros. Nada disto chega a quem ganha o salário mínimo ou tem uma pensão de 500 euros.

O plano faz o que só o Estado pode fazer, disponibilizar solo e infra-estrutura, e deixa às pessoas o que as pessoas fazem melhor: escolher, comprar e cuidar da sua própria casa, por pequena que seja. Cada fracção tem água, esgoto, energia e fibra. Cada grupo de 15 a 20 fracções partilha uma cozinha, uma lavandaria e balneários. Cada aldeia de 100 a 300 tem recepção, posto de saúde, segurança e um responsável pelo lugar. A renda da fracção é 10 a 15% do rendimento. Uma célula de 10 mil euros a dez anos custa 85 euros por mês.

É um plano de emergência: declarado por um ano, executado com o regime que o Estado já usa depois de um incêndio, através de todas as câmaras, seja qual for a sua cor política.

Os números da proposta. Nada disto existe ainda; é o que o plano propõe.

10 mil €

o preço de entrada de uma célula certificada, isolada para o Inverno e para o Verão. A casa é de quem a compra e vai com ela quando sair.

170 a 225 €

por mês, tudo incluído, para quem ganha o salário mínimo: 85 a 100 euros pela TinyHouse (10 mil euros a dez anos, conforme o juro do microcrédito com garantia pública) mais 82 a 123 euros de renda da fracção (10 a 15% de 819 euros líquidos). Sobra dinheiro no fim do mês.

500 a 800 M€

o investimento público na primeira vaga, um décimo a um trigésimo do custo da construção convencional, e reversível.

Primeiro o lugar. Depois as casas.

Uma aldeia biotópica à entrada de uma cidade: casas de madeira com painéis solares entre árvores, hortas, estacionamento na periferia, paragem de autocarro e linha de comboio ao lado, a cidade ao fundo

Biótopo vem do grego: lugar de vida. Uma aldeia biotópica desenha-se a partir da água, do solo, do sol e do vento, e só no fim se pousam as casas, ligeiras, onde o lugar as aceita, prontas a sair sem deixar marca.

Não tem ruas por dentro: uma via de acesso e estacionamento na periferia, caminhos de saibro para peões, bicicletas e o carrinho de mão. As redes enterram-se; a água trata-se na aldeia, num jardim que trata. A energia é solar e partilhada. A lavandaria, o cowork, a recepção, os balneários e o posto de saúde são pré-fabricados em madeira, montados em dias e reutilizáveis noutra aldeia.

Três regras que não se negoceiam: fracção mínima de 80 m², solo vivo nunca inferior a metade da aldeia, e nenhuma fracção a mais de 50 metros de um espaço verde comum, com vegetação e sombreamento.

Sete princípios

  1. Solo público, e porquê. O chão é sempre público ou de uma entidade sem fins lucrativos. Quem for dono do chão de cem casas que não se podem mover tem todo o poder e nenhum incentivo para o não usar. Não há especulação possível sobre um chão que ninguém pode vender.
  2. Casa própria. A habitação é da pessoa. Vive numa fracção que a cooperativa lhe arrenda a custo.
  3. Reversibilidade. Tudo o que se instala pode ser desinstalado. Ao fim de quinze anos, a aldeia desmonta-se ou torna-se bairro, por decisão e não por inércia.
  4. Partilhar o caro, possuir o barato. Cada um tem o seu espaço, pequeno, próprio e fechado. Tudo o que custa a instalar e a manter fica num núcleo comum a quinze ou vinte pessoas.
  5. Mistura, não triagem. A aldeia não é para quem não tem alternativa; é para quem escolhe. Se só lá for quem não pode ir a outro sítio, é um gueto com paisagismo.
  6. Dignidade no desenho. O que distingue uma aldeia de um parque de estacionamento habitado é tudo o que está à volta das casas.
  7. Transversal. Um plano de emergência, não um programa de partido. As mesmas regras, o mesmo pacote e os mesmos prazos para todas as câmaras.
A mesma aldeia à noite: casas iluminadas, caminhos com luz baixa, vizinhos a conversar, a paragem de autocarro e a cidade ao fundo
À noite, a aldeia é um lugar seguro porque é um lugar habitado: luz desenhada e não só instalada, vizinhos que se conhecem pelo nome, o autocarro à porta.

TinyHouse Aberta

Uma bolsa nacional de projectos de pequenas casas amovíveis, ecológicas e confortáveis, desenhadas por arquitectos e designers em regime pro bono, que qualquer pessoa pode montar com materiais comprados na loja de construção mais próxima. Cada entrada é um pacote completo: plantas, pormenores, lista de materiais sem marcas, ferramentas, sequência de montagem ilustrada, tempo e custo. Licença aberta: constrói-se, adapta-se, ensina-se, e o que se melhora volta à bolsa.

A primeira entrada é oferecida pela GreenHeritage, a empresa do autor do plano, sem custo e sem condições. A chamada pública à Ordem dos Arquitectos e às escolas é a única peça deste plano que não precisa de decreto-lei nem de terreno para arrancar.

Sou arquitecto ou designer: quero desenhar uma casa
A aldeia numa página: casas ligeiras, núcleo comum, posto de saúde e recepção em madeira, hortas, infra-estruturas e os equipamentos partilhados por cada 20 fracções

Cartas ao Primeiro-Ministro e ao Presidente da República

Escreva o seu nome e o concelho, altere o que quiser, e envie. O botão abre o seu email com o texto; o outro copia-o para colar no formulário de contacto do Governo (portugal.gov.pt) ou da Presidência (presidencia.pt).

Ao Primeiro-Ministro

Abrir no email

Ao Presidente da República

Abrir no email

O que vão dizer contra, e a resposta

É o Estado a institucionalizar a precariedade.
A precariedade já está institucionalizada: chama-se quarto partilhado a 400 euros e carro estacionado atrás da fábrica. A pergunta não é se aceitamos habitação ligeira, é se a queremos com posto médico, água tratada e paisagem, ou como está agora.
Vai criar bairros de lata.
Os bairros de lata nasceram de solo sem dono, sem infra-estrutura, sem serviços, sem prazo e sem desenho. Este plano é o contrário, ponto por ponto, e tem uma cláusula de saída que os bairros de lata nunca tiveram: ao fim de quinze anos, desmonta-se ou torna-se bairro por decisão, não por inércia.
Ninguém quer viver numa roulotte.
Centenas de milhares de europeus vivem em habitação ligeira por escolha, e milhões passam férias nela por gosto. A diferença entre o que se escolhe e o que se sofre está no lugar, não na caixa. O teste do plano é simples: se um quadro de trinta anos com salário médio escolheria lá viver, está bem feito.
Vai virar negócio.
Não pode. O chão é sempre público ou de uma entidade sem fins lucrativos; nenhuma empresa pode ser dona do solo, cooperadora ou gestora de uma aldeia; a renda é fixada por regra e nunca por mercado; e o nome fica reservado por lei a quem cumpre isto. Não há especulação possível sobre um chão que ninguém pode vender.
É impossível em um ano.
É impossível pelo procedimento normal, e por isso o plano não o usa. Portugal realojou milhares de pessoas em meses depois de incêndios e cheias, e montou estruturas de saúde inteiras em semanas na pandemia. A capacidade existe; o que nunca existiu foi a decisão de a usar para a habitação.
É caro.
Custa 500 a 800 milhões na primeira vaga, um décimo a um trigésimo por pessoa alojada do que qualquer alternativa que produza tecto em menos de dois anos. É reversível, o que nenhuma outra é. E o dinheiro já existe: o BEI anunciou 6 mil milhões para habitação acessível em 2026 e Portugal tem uma linha de 1 340 milhões aprovada.
Os municípios vão recusar.
Alguns, sim. Outros têm enfermeiros a recusar vagas, professores a desistir de colocações e fábricas sem gente. Comece-se por esses. E a lista pública de quem assina e de quem não assina é a melhor pressão que este plano pode exercer.

Representa uma câmara, uma junta, uma IPSS, um atelier ou um jornal?

Escreva para ola@aldeiasbiotopicas.pt com o assunto "Entidade" e o nome da instituição. Respondemos pessoalmente, por ordem de chegada, câmaras primeiro. Ateliers e arquitectos que queiram entrar na TinyHouse Aberta: o mesmo email, assunto "TinyHouse Aberta", e avisamos quando a chamada abrir.

Se é uma pessoa, ou um grupo de vizinhos, não escreva: vá ao seu concelho. Escolha-o aqui em cima, envie a carta à câmara e entre no grupo de quem já se está a organizar perto de si. É assim que isto avança, não por email.

Receber as novidades

Uma mensagem quando há algo que interessa: uma versão nova do plano, uma câmara que disse sim, a petição publicada. Nunca mais do que isso, e sai-se com um clique.

Documentos

Tudo é livre: pode ser copiado, discutido, alterado e usado por qualquer câmara, ministério, cooperativa ou cidadão.

Quem propõe

Jorge van Krieken dirige a GreenHeritage, uma empresa portuguesa de construção ecológica com uma visão de intervenção social na habitação. A GreenHeritage oferece gratuitamente, em código aberto, o projecto de uma TinyHouse em madeira para quem a quiser construir com as próprias mãos, e desafia todas as empresas do sector a terem, cada uma, o seu programa de TinyHouses a partir de 10 mil euros.

Versão 1.0, Setembro de 2026. Contacto: ola@aldeiasbiotopicas.pt