Aldeias Biotópicas

Plano de Emergência Nacional de habitação ligeira, própria e reversível

Um ano para alojar quem não tem onde viver.

Cem mil fracções em solo público, cada uma com a sua casa, a partir de 10 mil euros. Aldeias com água, energia, saúde e vizinhos, geridas por cooperativas com as câmaras, as juntas e as IPSS. O chão nunca se vende. A casa é de quem lá vive.

Ilustração de uma aldeia biotópica: casas ligeiras entre árvores, núcleo comunitário, hortas e a paisagem recuperada depois

Quantas casas cabem ao seu concelho?

A primeira vaga de 100 mil fracções distribui-se pelos 308 concelhos em proporção da população. Escolha o seu e veja o que lhe cabe e quanto terreno público é preciso.

Fonte: INE, Censos 2021, corrigidos pelo crescimento regional até 2025. Os concelhos com menos de cem fracções juntam-se aos vizinhos numa aldeia intermunicipal. A folha de cálculo completa, por freguesia, está nos documentos.

Portugal, primeira vaga

100 000

fracções, em cerca de 3 000 hectares de solo público. É o que arde numa semana má de Agosto.

A proposta numa página

Dois terços de quem trabalha em Portugal ganha menos de 1 200 euros líquidos. Um casal com dois salários de mil euros e dois filhos fica, na melhor das hipóteses, com 500 a 800 euros para a casa; um T2 numa área metropolitana custa 1 100 a 1 400. Três em cada quatro reformados recebem menos de 870 euros. A habitação a custos controlados vende-se a 100 a 220 mil euros. Nada disto chega a quem ganha o salário mínimo ou tem uma pensão de 500 euros.

O plano faz o que só o Estado pode fazer, disponibilizar solo e infra-estrutura, e deixa às pessoas o que as pessoas fazem melhor: escolher, comprar e cuidar da sua própria casa, por pequena que seja. Cada fracção tem água, esgoto, energia e fibra. Cada grupo de 15 a 20 fracções partilha uma cozinha, uma lavandaria e balneários. Cada aldeia de 100 a 300 tem recepção, posto de saúde, segurança e um responsável pelo lugar. A renda da fracção é 10 a 15% do rendimento. Uma célula de 10 mil euros a dez anos custa 85 euros por mês.

É um plano de emergência: declarado por um ano, executado com o regime que o Estado já usa depois de um incêndio, através de todas as câmaras, seja qual for a sua cor política.

10 mil €

o preço de entrada de uma célula certificada, isolada para o Inverno e para o Verão. A casa é de quem a compra e vai com ela quando sair.

150 a 250 €

por mês, casa própria mais renda da fracção, para quem ganha o salário mínimo. Sobra dinheiro no fim do mês.

500 a 800 M€

o investimento público na primeira vaga, um décimo a um trigésimo do custo da construção convencional, e reversível.

Primeiro o lugar. Depois as casas.

Ilustração: a fracção e a casa, o núcleo partilhado, os serviços da aldeia e a planta de uma aldeia de 100 a 300 fracções

Biótopo vem do grego: lugar de vida. Uma aldeia biotópica desenha-se a partir da água, do solo, do sol e do vento, e só no fim se pousam as casas, ligeiras, onde o lugar as aceita, prontas a sair sem deixar marca.

Não tem ruas por dentro: uma via de acesso e estacionamento na periferia, caminhos de saibro para peões, bicicletas e o carrinho de mão. As redes enterram-se; a água trata-se na aldeia, num jardim que trata. A energia é solar e partilhada. A lavandaria, o cowork, a recepção, os balneários e o posto de saúde são pré-fabricados em madeira, montados em dias e reutilizáveis noutra aldeia.

Três regras que não se negoceiam: fracção mínima de 80 m², solo vivo nunca inferior a metade da aldeia, e nenhuma fracção a mais de 50 metros de um espaço verde ou de uma árvore adulta.

Sete princípios

  1. Solo público, e porquê. O chão é sempre público ou de uma entidade sem fins lucrativos. Quem for dono do chão de cem casas que não se podem mover tem todo o poder e nenhum incentivo para o não usar. Não há especulação possível sobre um chão que ninguém pode vender.
  2. Casa própria. A habitação é da pessoa. Vive numa fracção que a cooperativa lhe arrenda a custo.
  3. Reversibilidade. Tudo o que se instala pode ser desinstalado. Ao fim de quinze anos, a aldeia desmonta-se ou torna-se bairro, por decisão e não por inércia.
  4. Partilhar o caro, possuir o barato. Cada um tem o seu espaço, pequeno, próprio e fechado. Tudo o que custa a instalar e a manter fica num núcleo comum a quinze ou vinte pessoas.
  5. Mistura, não triagem. A aldeia não é para quem não tem alternativa; é para quem escolhe. Se só lá for quem não pode ir a outro sítio, é um gueto com paisagismo.
  6. Dignidade no desenho. O que distingue uma aldeia de um parque de estacionamento habitado é tudo o que está à volta das casas.
  7. Transversal. Um plano de emergência, não um programa de partido. As mesmas regras, o mesmo pacote e os mesmos prazos para todas as câmaras.

TinyHouse Aberta

Uma bolsa nacional de projectos de pequenas casas amovíveis, ecológicas e confortáveis, desenhadas por arquitectos e designers em regime pro bono, que qualquer pessoa pode montar com materiais comprados na loja de construção mais próxima. Cada entrada é um pacote completo: plantas, pormenores, lista de materiais sem marcas, ferramentas, sequência de montagem ilustrada, tempo e custo. Licença aberta: constrói-se, adapta-se, ensina-se, e o que se melhora volta à bolsa.

A primeira entrada é oferecida pela GreenHeritage, a empresa do autor do plano, sem custo e sem condições. A chamada pública à Ordem dos Arquitectos e às escolas é a única peça deste plano que não precisa de decreto-lei nem de terreno para arrancar.

Quero desenhar uma casa
Ilustração: casas ligeiras, núcleo comum, serviços da aldeia, hortas e espaços verdes

Quem faz isto são as pessoas. E as câmaras.

A iniciativa vem de baixo. Um grupo promotor de quinze agregados, uma associação, uma IPSS ou uma junta regista-se, identifica um terreno público e empurra a câmara. A câmara entra na cooperativa que o grupo fundou. Diga-nos quem é.

Somos um grupo de pessoas

Somos uma câmara, junta, IPSS ou atelier

Documentos

Tudo é livre: pode ser copiado, discutido, alterado e usado por qualquer câmara, ministério, cooperativa ou cidadão.

Quem propõe

Jorge van Krieken dirige a GreenHeritage, uma empresa portuguesa de construção em madeira, e escreve sobre habitação e território. Não fabrica nem vende roulottes, e nada neste plano depende de que alguém compre o que ele vende. O que oferece é o projecto de uma casa para que qualquer pessoa a construa com as próprias mãos.

Versão 1.0, Setembro de 2026. Contacto: SUBSTITUIR@aldeiasbiotopicas.pt